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quinta-feira, 26 de março de 2020

As mulheres são as que mais sofrem com as epidemias e pandemias.


RESPONSABILIDADES

As mulheres hoje desempenham papel fundamental para a sociedade, são as principais responsáveis pela reorganização social, pela vida doméstica, e pela manutenção da vida social. Sem falar também que muitas delas são chefes de família e sustentam com seu trabalho, seus lares.


Entre 2015 e 2016, quando houve a epidemia do Zica vírus, onde as crianças nasciam com microcefalia, profissionais de saúde que estavam da linha de frente cuidando dessas mulheres parturientes, testemunharam o abandono de seus companheiros e também de seus familiares. Essas mulheres iam sozinhas aos hospitais e consultórios para dar continuidade ao tratamento dessas crianças que nasceram com essa má formação devido a epidemia da época.

O FARDO SOCIAL

O fardo social causado nas mulheres com o surgimento dessas epidemias e pandemias são extremamente cruéis. Elas são as mais afetadas, principalmente em relação a saúde mental.
Não é que elas morrem mais. Não é isso. Mas sim pelas cobranças e responsabilidades para "dar um jeito" onde deixar os filhos com as creches e escolas fechadas. Os gastos que elas tem para poder pagar uma babá, alguém que possa cuidar dessas crianças enquanto trabalham.




 FINANÇAS E A DESIGUALDADE DE GÊNERO (Cargos e Salários)

Uma pesquisadora de uma universidade do Canadá, na época do Ebola, fez uma pesquisa no oeste africano. Na época ouve uma queda na renda da população em geral. Porém quando essa epidemia passou e voltou ao normal, as mulheres diferente dos homens, demoraram muito mais para terem suas vidas no mesmo patamar de antes do ebola. Os homens voltavam ao seu patamar financeiro bem mais rápido que essas mulheres.



Muito provavelmente acontecerá a mesma coisa em nível mundial devido a essa Pandemia do COVID-19 com todas as mulheres ativas e trabalhadoras. Elas terão sua vida financeira restauradas e no mesmo patamar que antes, porém com muito mais morosidade que os homens.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Outra questão relacionada a essa Pandemia, esse enclausuramento e isolamento social que estamos vivendo, é que o índice de violência doméstica podem aumentar durante a "quarentena". Pois essas mulheres tem que conviver muito mais tempo com seus companheiros, seus agressores, sem nenhuma defesa, pois estão em isolamento não podendo sair de suas casas.


Números já demonstram em nosso país esse aumento de casos de violência doméstica: em Curitiba (Clique aqui) e no Rio de Janeiro onde os números são assustadores: As autoridades se surpreenderam com o aumento (em 50%) do movimento do plantão Judiciário. A maioria das pessoas que busca ajuda da justiça é de mulheres vítimas de violência.(Clique aqui).

A juíza titular da Vara de Violência Doméstica Adriana Mello do RJ, ressalta que é importante denunciar esse tipo de caso. "Se a mulher tiver sofrendo uma violência ali naquele momento que ela possa ligar para o 190 e acionar a Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro", disse a magistrada.




ONU MULHERES 
Na semana passada, a ONU Mulheres elaborou um documento sobre os possíveis impactos da crise gerada pelo covid-19 para as mulheres. Entre eles, está o aumento da violência de gênero. A entidade avalia que o impacto econômico da pandemia pode criar "barreiras adicionais" para deixar um parceiro violento.

A ONU Mulheres recomenda, entre outras coisas, que o governo garanta a continuidade dos serviços essenciais para responder à violência contra mulheres, desenvolvendo novas modalidades de prestação de serviços no contexto atual. Além disso, a entidade defende que é necessário aumentar o apoio às organizações especializadas de mulheres para fornecer serviços de apoio nos níveis local e territorial.

Parece algo sem relevância alguma, algo sem grandes proporções, porém uma pandemia como essa trás grandes problemas não só no aspecto financeiro, na saúde, social, mas também em relação as pessoas vítimas de qualquer violência domiciliar. 

Áudio de ligações reais de mulheres pedindo socorro a Polícia Militar do estado de Santa Catarina.

É preciso que as instituições que têm a incumbência de atender as mulheres e vítimas de agressões domésticas se adequem e não parem de funcionar para que possam dar conta do número de mulheres que serão agredidas por seus próprios companheiros.


Há uma necessidade de se olhar de forma mais profunda e cuidadosa para essas questões que quase ninguém se atenta. Somente nós mulheres é que sabemos das nossas dificuldades, preconceitos e a falta de valorização que nos afetam desde os tempos mais primórdios e que ainda em pleno século XXI temos que conviver e lutar pela valorização em âmbito social e financeiro.



Disque denuncia:
180 - para violência doméstica contra a mulher
100 - para violência contra idosos e crianças.



Fonte: https://istoe.com.br/casos-de-violencia-domestica-no-rj-crescem-50-durante-confinamento/
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/03/20/interna_politica,835661/damares-isolamento-pode-aumentar-violencia-domestica-e-pede-denuncias.shtml

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